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RUSSAS/CE
Suas origens remontam ao terceiro quartel da segunda metade do Século XVII, havendo como referência a chamada Guerra dos Bárbaros. Nesse turbulento final de século, em que a Capitania do Ceará achava-se ameaçada pelas hordas nativas, instalou-se no reduto uma sede de guarnição, tendo como dispositivo de segurança a paliçada a que se denominou de Forte do Jaguaribe (1701).
Em termos de colonização, tem-se como precedente gregário o assentamento de fazendas das quais constam como proprietários o médico pernambucano Luciano Cardoso da Veiga e os portugueses Francisco Ribeiro e Gaspar Rebouças de Malheiros, além de outros (1690). A partir de 1707, ano em que o Desembargador e Corregedor da Paraíba Cristóvão Soares Reimão (Tubarão) iniciou a demarcação de terras jurisdicionais da Capitania, o reduto começou a tomar feição comunitária, surgindo as primeiras casas residenciais. Nessa oportunidade, multiplicaram-se as doações de Sesmarias e vários investidores foram atraídos, dentre estes, Gregório Gracisman de Abreu, destacando-se pelo trabalho realizado em favor do povoamento do reduto.Evolução Política: A elevação do Arraial à categoria de Vila provêm de Ordem Régia de 15 de junho de 1801, com a denominação São Bernardo do Governador, tendo sido instalada a 6 de agosto do mesmo ano. Nessa relação toponímica, em que Bernardo Manuel de Vasconcelos era o Governador, existe qualquer coisa de pessoal, faltando apenas o Manuel e o Vasconcelos. Ainda a manter resíduos de individualidade, elevou-se a Vila à Categoria de Município com o nome de São Bernardo de Russas. Esse evento está inserido na Lei nº 900, de 9 de agosto de 1859, modificando a denominação para o nome atual.
Igreja
As primeiras manifestações eclesiais têm como precedente o projeto de construção da primitiva capela, obra cuja iniciativa provêm do Desembargador Cristóvão Soares Reimão, quando de suas tarefas redivisionárias da Capitania (1796). Nessa oportunidade e de modo coercitivo, determinou o Desembargador se criasse finta de dois bois, envolvendo duzentos currais, além do imposto de dez tostões, determinando, outrossim, a transferência de 30 índios do Presídio de Fortaleza e destinados à construção da respectiva obra. Além dos valores consignados nessa resolução, Soares Reimão, por ocasião da medição das terras de Gregório Gracisman de Abreu, rateou, em favor do patrimônio eclesiástico meia légua do respectivo conteúdo, destinando essa área à construção da Casa-Residência do vigário sobre quem recaísse a escolha de servir (16/11/1707).
Inconformados com a resolução, protestaram os herdeiros de Gracisman, porém sem nenhum resultado satisfatório. Finalmente, Matias Ferreira da Costa, genro do extinto Gracisman, liberou por escritura pública, datada de 2 de setembro de 1745, as terras até então em objeto de litígio, destinando-as à Nossa Senhora do Rosário, padroeira do Município.
A ereção dessa primitiva capela, tem como referência o ano de 1709, sob a denominação de Casa de Nossa Senhora. A Freguesia, tem como instrumento de apoio a Provisão, baixada pelo Bispo, D. Luiz de Miranda e datada de 11 de março de 1735, com a denominação de Freguesia da Vila de Russas.
Significado do Nome
Quando era ainda um simples povoado, existiu na localidade um velho que possuía um vistoso lote de águas que se destacava dos demais pela sua cor, Russa(embranquecida) daí teria vindo esse topônimo. Variação Toponímica: Santo Antônio do Ouvidor, São Bernardo do Governador e São Bernardo de Russas.